Linguagem Guilhotina


Rosana Ricalde, detalhe do trabalho Mares

 

Rosana Ricalde, Marco Polo, 2007

 

 



Escrito por Cristhiano Aguiar às 02h08
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Não sei por que, mas estou obcecado com o tema da viagem. Este foi um dos motivos que me levou a ler O coração das trevas, de Conrad, cuja leitura terminou este fim de semana e muito me impressionou. Na fila, estão agora Mongólia, de Bernardo Carvalho, uma edição da Granta só sobre o tema e Moby Dick. Também hospedei, nos últimos dias, viajantes. Além de gostar de receber gente, no caso destas hospedagens, as novas presenças na minha casa serviram para observar diferentes nuances de quem viaja: a adesão, parcial ou total, aos discursos oficiais das cidades nas quais ficam, a abertura ao novo e a novas identidades, os deveres a serem cumpridos, a disponibilidade de se envolver, nas mais variadas gradações possíveis, afetivamente...

Como muitos outros, eu conheci o romance de Conrad por causa do filme Apocalipse now. No livro, acompanhamos a busca de Marlow por Kurtz, um homem sombrio, porém sedutor. Ambos trabalham para uma empresa europeia que explora marfim na África. Antes de mais nada, é inegável: o livro mais famoso de Conrad envelheceu. Marlow considera o negro inferior, selvagem, e sua cultura indígena, quase demoníaca, contudo não consegue deixar de salientar a dimensão humana do sofrimento que o colonialismo impôs (e ainda impõe). O coração das trevas continua a ser boa literatura, apesar do conservadorismo. Marlow não consegue, também, fazer o elogio total à exploração capitalista.

Marlow quer saber a verdade sobre o mal. E este mal está no coração da floresta, dos negros, dos brancos, de todos os homens. A natureza é um lugar terrível para Marlow. Em parte, não deixa de ser verdade. Neste sentido, O coração das trevas é o Caim do filme Avatar: ambos pecam no exagero da bondade ou degeneração do telúrico, contudo mantêm uma espessura, um excesso, que lhes confere um charme inegável. Claro, minha comparação para aqui: realmente não gostei muito de Avatar, já vi mundos de FC e fantasia bem mais interessantes e não é possível compará-los em termos de densidade poética. O filme de James Cameron, claro, não se propõe à “arte”, mas uma das coisas que me cansou nele é a reciclagem, sem moderações, do mito do bom selvagem e da bondade intrínseca à natureza.

No caso da viagem de Marlow, a natureza é uma voragem. Ela é indiferente. Complicada. Decaída (neste sentido, o filtro de Conrad é o cristianismo). Todos os mecanismos do romance se entrelaçam a fim de dar realce a uma única frase, dita por Kurtz antes de falecer: “O horror! O horror!”. Um certo exagero de estilo e representação de mundo, das dezenas de páginas anteriores, é justificado neste momento.

Percorrer perigos e aventuras em busca de outra pessoa, alguém que nos reserva, ao final, palavras fundamentais, é um dos motivos que alimentam, há séculos, as histórias que contamos uns para os outros. Engraçado, semana passada, ao ir até o shopping encontrar Mira – vocês percebam que as idas ao shopping andam metafísicas – parei num Mate. Pedi pão assado, café e o mate misturado a suco de cupuaçu.

Havia um homem na mesa ao lado, segurando nas mãos uma edição da Carta Capital. Do nada, ele puxou assunto. Eu devo estar mudando e amadurecendo, porque além de estar com vontade de ler biografias, gosto que eu reservava apenas aos adultos, sempre me incomodou terrivelmente quando desconhecidos puxam conversa comigo:

“A gente olha essas pessoas passando pelo shopping, por aí, e não sabem como o mundo é, o perigo que correm. Está tudo na internet. Os videos, as informações. Os EUA e o estado do Rio de Janeiro compraram caixões no qual cabem mais de três pessoas, grandes vagões e estão isolando áreas, a fim de construir campos de concentração. Eles sabem que vai acontecer uma catástrofe e não avisam a população. Os EUA jogam, com seus aviões, coisas nas nuvens, e ninguém sabe pra quê é.”

E continuou a falar sobre paranoias e conspirações diversas. “Está tudo lá” e me disse os sites. Pensei em argumentar se, afinal de contas, era algo tão secreto e misterioso, por que diabos estaria esta informação tão fácil na internet?! Ele diria coisas como “na internet ainda não se conseguiu pleno controle” ou “parece fácil, é isso que eles querem”.

Ele me informou que era funcionário da Caixa Econômica Federal. Houve um momento em que tive medo dele. Um momento específico no qual nossos olhos se cruzaram. Achei ter visto um outro. Um olhar bifurcado, algo além dele próprio.

Tranquilo, terminei meu mate, me despedi dele e fui embora.

Em casa, neste momento mesmo, me emociono pela milésima vez ouvindo a música que Caetano canta sobre o tempo. Lembro deste meu Kurtz, cujo encontro também tentou me revelar alguma dimensão da maldade dos homens. Estou sozinho no apartamento e começa a cair uma chuva. Minutos antes, após um longo suspiro – estou no meio da revisão da minha dissertação de mestrado, para poder entregá-la aos arguidores – eu caminhei pelos quartos e tomei consciência das ausências que meus visitantes deixaram soltas, os perfumes dissolvendo no ar.

Acho que não tenho nada mais a falar para vocês, exceto que entre um parágrafo e outro... Há toda uma voz de segredos e pequenos pecados; agonias, ansiedades, sonhos e expectativas.

Sobe o cheiro da chuva e do asfalto molhado do Recife.



Escrito por Cristhiano Aguiar às 01h55
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Escrito por Cristhiano Aguiar às 17h30
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Não sei vocês, mas às vezes me parece que a realidade se transfigura. Não dentro de um delírio, mas de um desvio; como se subitamente fossem trocadas as “lentes” pelas quais o mundo é percebido. É sutil, mas acontece e acho razoavelmente saudável.

 

Dia desses, tive um surto de “ficção científica”: peguei o suplemento Pernambuco deste mês e vi no cabeçalho – janeiro de 2010.

 

Uau! 2010! O futuro veio assim, de repente? No mesmo dia, fui pegar minha namorada no shopping, onde ela trabalha, e observei, surpreso, que os seguranças do lugar ganharam um novo brinquedo: eles ficam em pé em cima da máquina, que possui duas grandes rodas, apoiam as mãos numa haste e atravessam, engravatados, fones nos ouvidos, todo o shopping com rapidez, elegância e nenhuma zoada. A impressão de que eu estava em algum filme de ficção científica francês dos anos 60, com atores de rostos sisudos emulando a provável “frieza” e “alma de plástico” do futuro, ficou forte na cabeça. Fiquei até com medo de abrir a boca e começar a dizer monólogos esquisitos e sonolentos.

 

Na verdade, o desvio do mundo continua forte, mas numa modalidade perigosa, cujo flerte não recomendaria a nenhum de vocês. É quando ele se deforma, mas desviando em direção ao nada. É isso. Faz algumas semanas, uma escritora, que esteve presente no recital em homenagem a João Cabral de Melo Neto, que organizei no Mercado da Boa Vista pela Fundação de Cultura, me dizia que gostava de acompanhar o Linguagem Guilhotina: “gosto, é sincero.” Então, outro destes momentos de rasgada sinceridade consiste em admitir que não estou somente vivendo um futuro transformado no agora, como também uma espécie de deserção dos significados e da confiança na palavra. Parece que há uma bifurcação de caminhos, porém tudo se desvanece... De novo, os filmes: quando o herói põe as mãos na relíquia arqueológica tanto procurada durante todo o enredo, porém, ao ser tocada, ela se esfarela e parte... kaput: é assim a vida, uma fulguração e depois o nada, o esquecimento?

 

É um pouco sobre isso que falam os poemas do livro do meu amigo Fábio Andrade (http://primariastatuagens.blogspot.com/), A transparência do tempo. Já tinha deixado uma propaganda sobre o livro aqui, no ano passado, porque ele foi um dos quatro livros dos prêmios literários do Conselho Municipal de Política Cultural, que tive o prazer de editar. Nunca pensei que seria editor de A transparência do tempo, que tem um posfácio meu, escrito antes de eu começar a trabalhar na Fundação.

 

Amanhã, a partir das cinco da tarde, lá na Arte Plural Galeria (http://www.artepluralgaleria.com.br/), acontecerá uma sessão de autógrafos do livro.

 

Estarei lá, junto com Felipe Aguiar, falando um pouquinho sobre os poemas de Fábio. Aqui vão dois, retirados do livro:

 

Escrevo

Para quando estiveres morto

Porque aprendi

Que há palavras que se fiam

Quando somos finalmente

A sombra de nossa origem

 

Escrevo

Para quando

Restar o teu retrato

Na parede branca do tempo

- Eu

E o receio em beijar

Teu rosto irretocável.

 

*

 

Para além do dia

Que se estica em horas

E olhos que nos vigiam

Haverá um sentido

Guardado pela harmonia

Das coisas simples

E fugidias.

 

Aqui vai um trecho do posfácio:

 

“A morte e a ruína, bem mais presentes nas seções anteriores, se retiram da casa, embora ainda olhem para dentro, curiosas e com um tanto de sede. A vida é celebrada a partir da vivência do amor. No poema mais bonito desta seção, ‘Viriam os pássaros’, fitas de alegria e bandeiras sinalizam a coragem de criar, a partir da poesia, vida... Vida e um nome que se multiplica”.


Não deixa de ser uma janela e um foco trêmulo de luz.

 



Escrito por Cristhiano Aguiar às 22h11
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os 50 livros mais vendidos de 2009

Achei esta lista enquanto fazia uma pesquisa para uma entrevista. Ela está neste blogue: http://estelivro.wordpress.com/

Aí vai:

1. A cabana - William Young (Sextante)

2. Eclipse - Stephenie Meyer (Intrínseca)

3. Amanhecer - Stephenie Meyer (Intrínseca)

4. Lua nova - Stephenie Meyer (Intrínseca)

5. Crepúsculo - Stephenie Meyer (Intrínseca)

6. O símbolo perdido - Dan Brown (Sextante)

7. Vade Mecum Saraiva 2009 (Saraiva)

8. O vendedor de sonhos - Augusto Cury (Academia de Inteligência)

9. Mentes perigosas - Ana Beatriz Silva (Objetiva)

10. O caçador de pipas - Khaled Hosseini (Nova Fronteira)

11. Comer, rezar, amar - Elizabeth Gilbert (Objetiva)

12. Leite derramado - Chico Buarque (Cia. das Letras)

13. A cidade do sol - Khaled Hosseini (Nova Fronteira)

14. O menino do pijama listrado - John Boyne (Cia. das Letras)

15. A menina que roubava livros - Markus Zusak (Intrínseca)

16. Vencendo o passado - Zibia Gasparetto (Vida e Consciência)

17. Mini Aurélio - Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (Positivo)

18. Quem me roubou de mim? - Fábio de Melo (Canção Nova)

19. Anjos e demônios - Dan Brown (Sextante)

20. Direito constitucional esquematizado - Pedro Lenza (Saraiva)

21. O monge e o executivo – James Hunter (Sextante)

22. O vendedor de sonhos e a revolução dos anônimos – Augusto Cury (Academia de Inteligência)

23. Uma breve história do mundo – Geoffrey Blainey (Fundamento)

24. O despertar – Diários do vampiro – vol. 1 – L. J. Smith (Record)

25. O código da inteligência – Augusto Cury (Thomas Nelson)

26. Os homens que não amavam as mulheres - Stieg Larsson  (Cia. das Letras)

27. Marley e eu – John Grogan (Ediouro)

28. A arte da guerra – Sun Tzu (Jardim dos Livros)

29. Cartas entre amigos – Gabriel Chalita (Ediouro)

30. A hospedeira – Stephenie Meyer (Intrínseca)

31. O pequeno príncepe – Antoine Saint-Exupéry (Agir)

32. 1808 – Laurentino Gomes (Planeta)

33. Se abrindo pra vida – Zibia Gasparetto (Vida e Consciência)

34. Minidicionário Houaiss – Antonio Houaiss (Objetiva)

35. Minutos de sabedoria – Carlos Torres Pastorino (Vozes)

36. Nunca desista de seus sonhos – Augusto Cury (Sextante)

37. Querido diário otário 1 – Jim Benton (Fundamento)

38. Box da série Crepúsculo – Stephenie Meyer (Intrínseca)

39. O ladrão de raios – Rick Riordan (Intrínseca)

40. Proibido para maiores – as melhores piadas para crianças – Paulo Tadeu (Matrix)

41. Uma breve história do século XX – Geoffrey Blainey (Fundamento)

42. A sombra do vento – Carlos Ruiz Zafón (Objetiva)

43. Por que os homens amam as mulheres poderosas – Sherry Argov (Sextante)

44. Dicionário escolar Michaelis (Melhoramentos)

45. A menina que brincava com fogo – Stieg Larsson (Cia. das Letras)

46. Marcada – série House of night – P. C. Cast (Novo Século)

47. A cabeça de Steve Jobs – Leander Kahney (Agir)

48. Formaturas infernais – Meg Cabot e outros (Record)

49. Os segredos da mente milionária – T. Harv Eker (Sextante)

50. Casais inteligentes enriquecem juntos – Gustavo Cerbasi (Gente)

Fonte: Livrarias Saraiva e Siciliano, Saraiva.com e Siciliano.com



Escrito por Cristhiano Aguiar às 15h27
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-Não diga isso alto, Cris!

 

Me recomendou uma amiga, brincando, quando mostrei a ela um livro sobre Beatriz Milhazes e afirmei: “gosto muito destas estruturas femininas, delicadas”.

 

Vocês gostam de Beatriz Milhazes (http://www.fortesvilaca.com.br/artista/beatriz-milhazes/foto-9.html)? Quem não conhece, dê uma olhada:

 

 

           Mares do sul, 2001, acrílica sobre tela, 178.5 x 197 cm


Talvez eu esteja sempre à procura de uma bordadura feminina na minha escrita...

 

A torneira do registro da minha casa quebrou, na semana passada. Nada sério: somente um filete de vazamento (nota: por algum ato falho, eu escrevi, na primeira versão deste post, a palavra “cabeça” no lugar de “casa”! E não deixa de ser verdade).

 

Esta torneira, parecida com um trevo de quatro folhas, se localiza dentro de um armário de fórmica branca, onde guardo minha louça. Descobri o vazamento porque escorriam umas gotas lentas, grossas, das pontas do armário, das pontas brancas do armário, nas quais estão instalados pequenos braços de metal: são eles que permitem o abrir e o fechar das suas três portas.

 

Retirei parte dos pratos e copos. Uma mancha meio escura de água, esparramada, um pouco nua. Imaginei que, sem cuidados imediatos, o armário incharia e a umidade ficaria verde. Tudo se expandindo, se destruindo, inchando.

 

Chamei o encanador. Ele consertou parcialmente a torneira, pois do vazamento restou ainda um pequeno filete, quase transparente. Ficamos observando, bem de perto, para saber se o filete era o resquício da última água que fugira e vazara; se percebêssemos, pelo contrário, uma pulsação, algum tipo de movimento por dentro do filete, ainda havia o que consertar. Ele colocou o dedão da mão direita no meio do fiozinho, tentava sentir se o vazamento continuava. Aparentemente, não.

 

Continuamos observando. O filete sinuoso, silencios. Cheio de véus.

 

- Não está mais vazando. – O encanador concluiu.

 

Era verdade.

 

Ele foi embora.

 

Mas eu, eu decidi olhar mais um pouco.



Escrito por Cristhiano Aguiar às 19h45
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O FIM DO MUNDO

 

No fim de um mundo melancólico

os homens lêem jornais.

Homens indiferentes a comer laranjas

que ardem como o sol.

 

Me deram uma maçã para lembrar

a morte. Sei que cidades telegrafam

pedindo querosene. O véu que olhei voar

caiu no deserto.

 

O poema final ninguém escreverá

desse mundo particular de doze horas.

Em vez de juízo final a mim me preocupa

o sonho final.

 

João Cabral de Melo Neto



Escrito por Cristhiano Aguiar às 20h09
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O Recife antigo está impregnado de Janeiro. Um dos primeiros sinais é o fato de que é possível estacionar o seu veículo após as nove horas da manhã. As ruas da praça do Arsenal e do Bom Jesus, aliás, lugares nos quais eu estaciono meu atrasado carro, estão com mais grupos de turistas do que o habitual.


Hoje, dois dos mendigos que vivem pela praça estavam deitados, falando sozinhos, com o corpo se mexendo. Submersos. Tentei imaginar que tipo de mundo eles habitavam. E se, afinal de contas, era melhor estar , do que aqui. Sobre o que conversavam?


Só se fala em carnaval. Amanhã teremos uma festa lá no Eufrásio Barbosa, em Olinda, com duas das bandas pós-mangue com mais cara de carnaval daqui: Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda. Como nunca fui muito acostumado com carnaval, nem passava os carnavais em Recife, ainda me surpreendo com o empenho do pernambucano em organizar suas troças, comentar as fantasias que serão usadas, programar os dias das cachaças e os pontos de encontro em Olinda...


Amanhã estão todos convidados para um recital, no mercado da Boa Vista, em homenagem ao aniversário de João Cabral de Melo Neto, que completaria neste sábado 90 anos. A Fundação de Cultura organizou, além deste recital, que será feito apenas por mulheres, um curso gratuito de introdução à poesia do poeta pernambucano. Este curso será ministrado pelos meus chapas da Crispim, Artur Ataíde e Fábio Andrade, na Livraria Cultura, nos dias 11 e 12 de Janeiro, a partir das 19h. Apareçam!

 

E na quarta, dia 13, vai rolar, também na Cultura, o Saldão Literário: recital com um monte de poetas e escritores do Recife e adjacências, fazendo um balanço do que foi produzido de literatura no ano de 2009. Aí está o cartaz:

 

 

Nos encontramos por estas estripulias e, se minha dissertação deixar, pelo Janeiro de Grandes Espetáculos.

 



Escrito por Cristhiano Aguiar às 16h32
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Engraçado. O ano de 2010 comprova a plena sintonia que estou tendo com a rotina dos dias. Explico: perceber que, após o fim de 2009, a vida continua mais ou menos na mesma, inclusive com direito à... segundas-feiras.

 

- É isso... Lá vamos nós de novo. – Dizemos diante do espelho. Se eu usasse gravatas, diria: “dizemos diante do espelho, enquanto ajeitamos a gravata e passamos loção pós-barba”.

 

No dia 1 de janeiro, acordei com um bom humor extravagante. Talvez tenha sido o céu azul de Recife, que continuou em João Pessoa... Parecia que eu tinha plena capacidade de resolver, com uma razoável facilidade, os primeiros desafios que despontam no ano que se inicia. Tive a sensação de “apesar disso, estou no controle”. Me senti pleno. À vontade com minhas perguntas de estimação.

 

Hoje, por outro lado, a sensação de segurança foi substituída, à medida que a noite caía, por uma ansiedade velada, que me fazia balançar os pés e tamborilar os dedos da mão esquerda. Tive, então, a vontade de fazer um post cinzento, ao som de, sei lá, digamos, Joy Division, post enfeitado por dois poemas de Contador Borges e Jorge Reis-Sá. Cheguei em casa, desisti do que ia escrever, contudo os poemas ficaram.

 

*

 

Ardor maior é coisa

que não cabe num poema

 

luzes sim

mas luzes frias

 

sem contar as cinzas.

 

(Contador Borges)

 

Fala do Bom Pastor

 

É-me fácil pastorear Deus pelas encostas.

Chamo-o forte e ele junta as ovelhas, late.

 

Pastoreio a felicidade. E peço que Deus afaste

os lobos da carne onde guardo o meu sustento.

 

(Jorge Reis-Sá)

 

*

 

Às vezes, penso que pastoreio lobos.

 

Mãos à obra, hein?

 



Escrito por Cristhiano Aguiar às 20h40
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Feliz Natal, turma! Feliz ano novo também.

Embora quase nada de fato mude nestes momentos, apenas a sensação de um giro na roda do tempo e do destino já me parece algo positivo.

E quando as sombras vierem – acredite, elas chegam – e quando o cinismo e o desespero, de mãos dadas, baterem na porta de cada um de nós, com o sorriso serrilhado e arregaçado, que possamos ter força. Que possamos lembrar: antes do mergulho final, há muita possibilidade de sentido no mundo, através do desejo, da palavra, do amor, dos amigos, do barro amolecido entre os dedos...

O que é um ano bom? Aquele que podemos enxergar frente a frente, sem medo. Um ano bom é aquele que pode ser visitado.

Ouvi um dia desses um podcast do Pondé e ele chamava atenção para o status peculiar do cristianismo, que no final das contas se trata da história de um deus suicida: ao se tornar carne, Jesus passou a fazer parte da História humana enquanto homem. A ideia de sacrifício me parece ainda positiva: a vida só é viável se pudermos abrir mão de um tanto de nós, mesmo que seja preciso um tanto de sangue, de dores.

Enfim. Para 2010, desejo a vocês melhores perguntas e todas as instâncias possíveis de paz.

O blogue volta no meio de Janeiro. Fico reescrevendo a dissertação e trabalhando no livro de contos e na novela.

Que possamos deixar este mundo mais leve. Beijos a todos.



Escrito por Cristhiano Aguiar às 01h33
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fiz uma entrevista com o poeta e crítico luiz carlos monteiro. Tá aqui:

http://www.interpoetica.com/entrevista.htm



Escrito por Cristhiano Aguiar às 16h08
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Eita! comemora um ano com festa

Lançamento de terceiro número da revista acontece no Bar Central, nesta segunda-feira (21), às 19h

 

         Comemorando um ano de existência, a revista Eita! realiza a festa Danou-se! para promover o lançamento do número três desta publicação da Fundação de Cultura Cidade do Recife. O evento acontece nesta segunda-feira (21), a partir das 19h, no Bar Central, e terá projeção de imagens do VJ Yellow, além de sorteio de brindes especiais.

         Organizada pela Gerência de Literatura e Editoração, com apoio do Centro de Design do Recife, a revista cultural conta a cada edição com colaboradores diferentes abordando temas diversos relativos à arte, cultura e até comportamento, com concepção gráfica e editorial inovadora.

         Nesta edição, há artigos bem provocadores como, Uma arte que não ousa dizer seu nome, do escritor Anco Márcio, sobre o papel artístico de perfomances e instalações; Moda é arte?, da jornalista Fabiana Moraes, que lança mais dúvidas divertidas sobre a questão; Por uma possível literatura mangue beat, escrito pelo jornalista Beto Azoubel; Nem tudo que reluz é kitsh, de Hallina Beltrão, a respeito das novas amostras do neo-kitsh.

         Em suas 72 páginas, há colaborações criativas como a “receita para fabricar zebras”, formulada pela designer pernambucana radicada em São Paulo Moema Cavalcanti; a fotonovela moderna assinada pelo fotógrafo Osmário Marques, e a história em quadrinhos Via Conde da Boa Vista, criada pelo designer Yellow. Além disso, há uma entrevista feita pelo escritor Cristhiano Aguiar com personagens fictícios da literatura pernambucana, e uma questão levantada pela jornalista e uma das editoras Débora Nascimento, para diversos profissionais da cidade.

          Segundo a gerente de literatura da Fundação de Cultura Heloísa Arcoverde, a Eita!, nesse primeiro ano de existência, vem conseguindo manter sua proposta inicial. “Não podemos dizer que a Revista Eita! evoluiu, pois ela já nasceu do jeito que é hoje: uma revista cultural, que não aborda apenas um tipo de arte, e não fala sobre lançamentos e estréias, mas discute questões, dando liberdade a seus colaboradores, tanto os de texto quanto os de imagem. O objetivo é fazer produzir e pensar da forma mais criativa possível”, afirma Heloísa, que já prepara o número quatro da publicação. Interessados em colaborar devem entrar em contato através do email: revistaeita.revistaeita@gmail.com.

 

Serviço

Lançamento da Eita 3

Onde: Bar Central, Rua Mamede Simões 144, Boa Vista. Informações: (81) 3232-2898 | 3222-7622

Quando: Segunda-feira (21/12), às 19h

Quanto: Distribuição gratuita de exemplares, na festa, e venda nas livrarias e bancas da cidade.



Escrito por Cristhiano Aguiar às 17h00
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Escrito por Cristhiano Aguiar às 01h04
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Escrito por Cristhiano Aguiar às 11h19
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Bom, mais lançamentos e coisas.

Aos que estiverem em Recife, dêem uma passadinha na Gerência Operacional de Literatura e Editoração, para a grande festa de fim de ano do lançamento das publicações que estão aí embaixo.

E este mês aguardem, ainda, o lançamento da terceira edição da Eita!

Recife também está bem agitada com os shows da Feira Música Brasil. Ontem, fui do manguebeat ao metal. \o/

Nos vemos na próxima semana!



Escrito por Cristhiano Aguiar às 16h26
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