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Entre 2006-2007, iniciei uma pesquisa sobre Grande Sertão: Veredas. Infelizmente, por vários motivos, tive que interrompê-la. Não se passa pelo sertão impunemente, acredito.
Um dia pretendo voltar ao que eu capinava, junto com Riobaldo e Diadorim; por enquanto, vamos nós juntando uma coivara de frases:
“o punhal travessado na boca, sabe?: sem querer, a gente rosna” (p.206)
“Diadorim me pôs o rastro dele para sempre em todas essas quisquilhas da natureza” (p.29)
“quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade...”
“O senhor faça o que queira ou o que não queira – o senhor toda-a-vida não pode tirar os pés: que há-de estar sempre em cima do sertão. O senhor não creia na quietação do ar. Porque o sertão se sabe só por alto. Mas, ou ele ajuda, com enorme poder, ou é traiçoeiro muito desastroso. O senhor...”
A propósito de que eu estou, agorinha mesmo, com Grande Sertão nas mãos? Pra citar num ensaio sobre uma outra história, mas que, por uma veredinha seca, passa pelo sertão de Riobaldo; daí é a grande literatura que se revela; um pedacinho de pedra, um ribeirinho, um silêncio – a literatura toma conta da gente; afoga, tira o vento de dentro, em seguida fecunda.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 19h38
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Em busca da nova prosa brasileira, começo a ler antologias de contos publicadas nos últimos anos. A nossa antologia de hoje se chama Boa Companhia e foi publicada pela Companhia das Letras em 2003.
Vocês se recordam daquela música “um dia frio/um bom lugar pra ler um livro”? Embora nem sempre Recife seja um bom lugar (muito menos, frio), existem realmente momentos em que livros são uma ótima companhia. Não é o caso deste. Perdoem, ou não, o trocadilho.
Os textos parecem falar a mesma linguagem, tendendo à transparência, à linearidade, ao prosaísmo, à concisão jornalística. Há, claro, naturais variações de estilo. Prevalece, porém, este “anti-estilo”. Onde estão as impressões digitais destes escritores?
Estão ausentes as investigações formais, a condensação poética da linguagem, os temas transgressores, as encruzilhadas culturais e históricas, a metalinguagem, o diálogo com outras linguagens artísticas (mas há algum pop). É possível, claro, fazer boa literatura sem estes valores que acabei de elencar. Além disso, a aproximação com o jornalismo não é um problema em si (veja, por exemplo, o new jornalism). O despojamento, também não. A concisão destes autores, no entanto, não é a de Graciliano, ou Rulfo. O que falta?
Os razoáveis contos de Sérgio Sant’Anna e Ana Miranda, por exemplo, se contentam em representar (atenção a esta palavra-chave. Vamos voltar a ela logo-logo) “tipos”: a neurótica e a adolescente de classe média. Graças a uma certa ambigüidade e ironia, no primeiro texto, e à ausência de pontuação, no segundo (busca de traduzir na forma literária a própria mente da personagem), os contos se afastam um pouco do mero estudo de caso, ganhando com isso.
Por outro lado, não é o que ocorre nos contos de Luiz Schwarcz (um conto de foco narrativo equivocado, pois ficaria melhor na terceira, não na primeira pessoa, além de ter um final já repetido à exaustão em contos fantásticos), Luiz Alfredo Garcia-Roza, Maria Telles Ribeiro, Reinaldo Moraes (cujo narrador é uma derivação dos narradores cultos, niilistas e metidos em encrencas de Rubem Fonseca). Estes textos não conseguem extrapolar o retrato do cotidiano, nem têm aquela esperteza, ou lirismo, se lembrarmos de Rubem Braga e Nelson Rodrigues, que tanto gostamos nas boas crônicas.
Amilcar Bettega Barbosa, apesar de bom contista, decepciona. Tenta uma linguagem poética, mas se afunda em frases feitas do tipo “rosa regada feita flor aberta” (?); “chuva que chora” (??); “surda respiração bacteriana. Além (até quando além?)” (?!). O conto tenta ser sensorial e cromático, mas recai no kitsch, como se um pintor contemporâneo, sem nenhuma intenção paródica, tentasse pintar quadros exatamente iguais aos de Renoir.
Pedro Cavalcanti e Bernardo Carvalho partem de boas idéias. O primeiro se perde numa estereotipação do protestantismo e no final explicativo; o segundo faz um bom conto, mas que pediria maior fôlego. Lívia Garcia-Roza trata da imaginação adolescente com pitadas de absurdo e humor, mas parece levar a idéia do não-final dos contos de Tchekhov ao pé da letra, criando um anticlímax que põe o texto a perder. Penso que os cinismos se realizam melhor nos arremates (Machado talvez usasse a palavra piparotes).
A frase final também é o problema do bom conto de Moacyr Scliar, que me lembrou muito os contos sobre infância de J.J. Veiga e Luiz Vilela. O argumento, um tanto previsível, finalizaria com um efeito mais intenso sem os dois últimos parágrafos, cuja supressão acentuaria a violência sofrida pelo personagem Francisco. Por fim, Heloisa Seixas nos traz um conto de terror interessante, que tem o mérito de propor uma poética destoante dos demais.
O problema é que Boa Companhia se conforma a um pacto de realidade. O ponto-chave reside na questão da representação, ou seja, da relação entre literatura e mundo. Na física, o buraco negro é um ponto cuja densidade escandaliza as leis físicas convencionais. A boa literatura comunica um tempo ao outro através de uma curva. Ela desobedece nossos consensos, nossas leis.
Por fim, uma provocação. Até que ponto Boa Companhia reproduz valores confortáveis a um mercado editorial? Não é pecado pensar num mercado (Shakespeare e Cervantes ririam do nosso pudor com relação a ele), ou ganhar dinheiro com literatura (e não é pecado se você quiser me dizer como ganhar). Mas não podemos nos contentar com respirações curtas e poças rasas.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 02h35
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.nuvens incendiadas.
.teus dedos acorrentados ao Livro.
.cabelos dançam nos Grandes Hosannas.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 11h34
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O livro A Invenção de Morel, de Casares, possui uma metáfora poderosa. Morel inventa uma máquina que produz perfeitos simulacros de seres humanos. No entanto, ela emite um tipo de radiação que causa degenerações nos corpos originais, levando-os à morte.
A metáfora de Morel é interessante porque se recicla. Máquina de ficção científica contida numa máquina de palavras. Pode ser lida tanto levando em conta a poética do livro – e, dessa forma, ser “interpretada” – como reciclada em redemoinho. Este último tipo de leitura, que muitos podem chamar de “superinterpretação”, não é geralmente bem visto, mas consiste numa das melhores formas de um leitor não apenas se aproximar do texto, como de devorá-lo, digeri-lo, incorporá-lo. Defendo que um leitor possa, sim, enviesar. Defendo idiossincrasias. Defendo o quintal de casa.
Literatura nas vísceras? Ou a pior das simulações?
Posso dizer: a invenção de Morel é a TV; é a Ciência, cujas teorias nunca chegarão ao real; é a caverna de Platão; não é a caverna de Platão; é a antecipação da realidade virtual; é a vida alienada do condomínio fechado. Nenhuma dessas interpretações parece ser autorizada pelo texto; penso, entretanto, que interpretações esdrúxulas são, muitas vezes, fundamentais.
A minha alegoria: a invenção de Morel é a própria literatura. Uma prisão numa ilha de fantasmas duplicados; uma promessa de imortalidade que se realiza somente num nome-simulacro, corpo cego, agarrado no papel.
No fim das contas, escrever literatura não te garante nada, mas não há como escapar do risco.
Colonizo a ilha de Morel com confessionários.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 00h32
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Há alguns dias, o escritor Bernardo Carvalho esteve aqui em Recife falando um pouco dos seus livros, do ofício do escritor e do mercado editorial. Eu já tinha postado aqui um trecho da entrevista que fiz com ele. Algumas das coisas que o autor falou em Recife estão vinculadas à entrevista publicada no Pernambuco, por isso a coloco aqui na íntegra.
1) Bernardo, fala-se muito que sua literatura é “cosmopolita”, “pós-moderna”, “hermética”. Você acha que há um desconforto na crítica brasileira por tua obra não se enquadrar num paradigma de realismo tradicional, tão típico da nossa cultura?
Não sei. Em todo caso, discordo que a minha literatura seja pós-moderna. Antes, ela é fruto de um desconforto em relação aos preceitos da pós-modernidade. Me sinto muito mais próximo dos princípios da literatura moderna. Mais do que literatura pós-moderna, vejo nos meus livros uma tentativa de fazer literatura moderna onde ela já não é possível. Boa parte do mal-estar e do desconforto (meu, pelo menos) vem daí. A tendência a um realismo tradicional é cíclica. Mas vc não pode dizer que esse é o paradigma absoluto da literatura brasileira. Não chamaria Guimarães Rosa propriamente de realista. Nem Clarice Lispector. Acho que a hegemonia recente de uma literatura mais submissa a uma realidade consensual, que a precede, tem a ver com a violência dessa realidade, que torna todo o resto (toda possibilidade de invenção e criação) insignificante. Cabe ao escritor que não se sentir satisfeito com esse estado de coisas resistir.
2) Cada vez mais, os livros que fazem sucesso contam histórias “reais”: relatos, por exemplo, de sofrimento em regiões da África, do Oriente Médio, das favelas. No entanto, um dos personagens de ‘O sol se põe em São Paulo’, que é escritor, diz: ‘Só me interessam as mentiras’. Tua obra é uma espécie de paródia das expectativas do mercado?
A preferência por “histórias reais” (ou baseadas em fatos reais) é natural do ser humano. E é lógico que o mercado precisa ir atrás daquilo que vai vender com mais facilidade. A literatura que me interessa, como escritor pelo menos, é outra (embora eu também goste muito de ler histórias baseadas em fatos reais). A parte da imaginação e da ficção é fundamental na minha vida. E os escritores que me interessam fazem parte desse universo. Em “O Sol se Põe em São Paulo”, eu não estava fazendo referência direta às expectativas do mercado, mas tratando da literatura que eu prezo.
3) Há algum tempo, você afirmou numa entrevista no site Trópico (http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/1586,2.shl) que não se identificava com as linhas principais da literatura brasileira. Como você vê a vida literária hoje, no nosso país? Que escritores, seja da nossa literatura, ou não, foram importantes para a tua formação?
Há escritores que precisam participar ativamente da vida literária. É quase uma fonte de energia para eles. Alimentam-se de polêmicas, não podem viver fora de grupos etc. Há outros que só têm a perder com isso. É o meu caso. Meu projeto literário é frágil o suficiente para se perder completamente se eu tiver que dividir a minha energia entre a literatura e a vida literária. Não me interesso pela vida literária por uma questão de sobrevivência. Outra coisa são as influências. De fato, não me sinto influenciado por autores brasileiros. E não vejo nenhum escândalo nisso. Acho, por exemplo, o Guimarães Rosa um dos maiores gênios da literatura universal. E, no entanto, não tenho nada a ver com ele, nem estilisticamente nem com relação ao seu otimismo (na verdade, sou o oposto).
4) Na sua entrevista para o Paiol Literário, você afirma: “Crio um tipo de literatura que eu acho que tem alguma importância porque preciso continuar criando, mas que, na verdade, não tem nenhuma importância, não tem nenhuma conseqüência social”. O escritor brasileiro está condenado a ser invisível?
Não, não está. O escritor brasileiro tem até bastante visibilidade interna. Ele só não tem é no exterior, com exceção do Paulo Coelho, é claro. Mas a minha resposta não tinha a ver com visibilidade. Se eu me lembro bem, estava fazendo o elogio de uma literatura “inútil”, que não precisa ter função social para existir e ter direito de existência. Só daí pode surgir alguma coisa nova, que não atende a demandas prévias, mas cria novas demandas, antes inexistentes. A literatura que me interessa não tem uma função imediatamente reconhecível.
5) Você poderia falar um pouco sobre como escreveu ‘O sol se põe em São Paulo’? Como você situa este romance em relação ao resto da tua obra?
É um livro de reação e de uma certa militância. Meus dois romances precedentes (Nove Noites e Mongólia -- dentre os meus livros, os mais bem recebidos tanto pela crítica como pelo público) foram lidos como histórias baseadas em fatos reais (relato de viagem, autobiografia etc.), embora eu nunca tivesse deixado de salientar que eram obras de ficção. Minha reação em “O Sol se Põe em São Paulo” foi escrever um livro sobre o qual ninguém pudesse dizer que era baseado em fatos reais. Esse romance é uma máquina aloprada de produzir ficção: uma pessoa conta uma história para outra que conta uma história para outra... e assim por diante. Os próprios narradores acabam sucumbindo à ficção e sendo transformados em personagens da história que contavam como se dela não fizessem parte.
6) Um dos principais temas do seu novo romance é a cultura japonesa. Falar do Japão significa, por contraste, falar melhor do Brasil?
De certa maneira, sim. Já no Mongólia era a mesma coisa. O livro pode ser lido como uma reflexão sobre o Brasil, por oposição. Não só você vê melhor à distância, como a estranheza de uma cultura antípoda permite que você reconheça melhor os defeitos e as qualidades do lugar de onde veio, pela falta. Por outro lado, você tb pode dizer que o Japão que eu descrevo tem menos a ver com o Japão real do que com uma imagem distorcida das questões que mais me tocam ou afligem no Brasil.
7) Alguns dos seus livros já foram traduzidos para o exterior. Como teus livros foram recebidos lá fora? Ainda se espera do escritor brasileiro uma mistura exótica de samba-carnaval-marginalidade?
Não sei o que se espera do escritor brasileiro hoje. O que eu sei é que é difícil emplacar uma literatura como a minha no exterior. Embora os livros tenham sido traduzidos para vários países e em geral tenham sido muito bem recebidos pela crítica, as vendas são pequenas. A única exceção, no meu caso, é a França. E isso sobretudo no que diz respeito ao Nove Noites. Posso estar enganado, mas a impressão que eu tenho é que em um mercado fechado e protecionista como o anglo-saxão (que é o que realmente conta hoje) é inconcebível que um escritor brasileiro escreva o tipo de livros que eu escrevo. Ou talvez esse tipo de livro simplesmente não tenha nenhum interesse por lá. De qualquer jeito, os escritores estrangeiros tampouco vendem bem aqui, com exceção dos já consagrados. Um editor me disse recentemente que os mercados nacionais estão cada vez mais fechados sobre si mesmos. Pode ser que ele esteja com a razão.
8) Recentemente, tivemos, aqui em Pernambuco, uma Bienal do livro e duas festas literárias. Você acha que estes eventos contribuem para aumentar o número de leitores e fomentar uma cultura do livro em nosso país?
Não existem regras. Acho e espero que sim. Mas não sou especialista nesse assunto. De qualquer jeito, a educação no Brasil é uma farsa. É preciso alfabetizar a população, de verdade. Para não falar na elite do país, que é extremamente grosseira e iletrada.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 22h54
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A semana começa com Cajuína.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 22h44
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“Entre a revolução e a religião, a poesia é a outra voz. Sua voz é outra porque é a voz das paixões e das visões; é de outro mundo e é deste mundo, é antiga e é de hoje mesmo, antiguidade sem datas. Poesia herética e cismática, poesia inocente e perversa, límpida e viscosa, aérea e subterrânea, poesia da capela e do bar da esquina, poesia ao alcance da mão e sempre de um mais além que está aqui mesmo. Todos os poetas, nesses momentos longos ou curtos, repetidos ou isolados, em que são realmente poetas, ouvem a voz outra. É sua e é alheia, é de ninguém e é de todos. Nada distingue o poeta dos outros homens e mulheres, salvo esses momentos – raros, embora freqüentes – em que, sendo ele mesmo, é outro. Possessão de forças e poderes estranhos, erupção de fundo psíquico enterrado no mais íntimo de seu ser, ou peregrina faculdade para associar palavras, imagens, sons, formas? Não é fácil responder a essas perguntas. Contudo, não acredito que seja só uma faculdade. Mas se fosse, de onde vem? Enfim, seja uma coisa ou outra, o certo é que a radical estranheza do fenômeno poético faz pensar em uma doença que ainda espera o diagnóstico do médico. A medicina antiga – e também a filosofia, começando por Platão – atribuíam a faculdade poética a um transtorno psíquico. Era uma mania, quer dizer, um furor sagrado, um entusiasmo, um transporte. Porém, a mania não é senão um dos pólos do transtorno; o outro é a absentia, o vazio interior, esse ‘melancólico bocejo’ de que fala o poeta. Plenitude e vacuidade, vôo e queda, entusiasmo e melancolia: poesia.”
Trecho do livro A outra voz, escrito por Octavio Paz.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 21h10
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Saiu este fim de semana uma matéria do Pernambuco (Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado) sobre a nova literatura feita em Pernambuco, assinada por Alan Luna.
É muito interessante que tanto o autor da matéria, Alan, quanto o seu editor, Raimundo Carrero, tenham utilizado o termo “novíssima”.
Não é a primeira vez que vejo o termo. Creio, estou citando de memória, que esta palavra foi aplicada aos poetas paulistas que surgiram em meados de 60, por exemplo.
O superlativo indica do que trata a matéria: escritores jovens que ainda não publicaram livros (ou os publicaram com circulação restrita), que não fazem parte do mercado editorial e cujas obras se encontram nos seus primeiros passos.
Aqui está o dado interessante. Na busca por um espaço, estes “novíssimos” se articulam em grupos. Se não há mais a defesa de um projeto estético, ou um manifesto, no molde dos grupos das vanguardas, permanece o desejo de viabilizar a produção literária dos seus integrantes e de trazer novos valores aos horizontes de leitura. Portanto, a matéria enfatiza movimentações culturais (são cinco exemplos: o Nós Pós, a Vacatussa, a Crispim, o Centro de Cultura Luiz Freire e o D’Improviso).
O que se pode concluir?
Que falta estes escritores serem vistos não apenas como grupos, mas como... Escritores. Vozes autorais. Os “novíssimos” de Pernambuco têm algo a dizer de relevante? Alguém já escuta o que eles dizem? Ou eles, por enquanto, somente movimentam a vida literária do Recife?
A única crítica que faria à matéria de Luna seria o foco no “quem faz”, em detrimento do “o que se escreve”. Quais os temas que estes “novíssimos” abordam? Quem eles lêem? Como escrevem? Como conseguem publicar? O que há de novo no novo? O que há de antigo neste novo?
Estes questionamentos, claro, fogem aos objetivos da matéria do Pernambuco. Reiteram, porém, a importância da prática crítica.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 16h17
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Fatagaga, Max Ernst, 1920
“Homem. – Um eminente químico inglês, o Dr. Charles Henry Maye, empenhou-se em estabelecer de forma exata de que é feito o homem e qual é seu valor químico. Eis os resultados de suas sábias pesquisas. A gordura de um corpo humano de constituição normal seria suficiente para fabricar sete porções de sabonete. Encontram-se no seu organismo quantidades suficientes de ferro para fabricar um prego de espessura média e de açúcar para adoçar uma xícara de café. O fósforo daria para 2.220 palitos de fósforo. O magnésio forneceria matéria para se tirar uma fotografia. Ainda um pouco de potássio e de enxofre, mas em quantidade inutilizável. Essas diversas matérias-primas, avaliadas na moeda corrente, representam uma soma em torno de 25 francos”
Trecho de um artigo atribuído a Georges Bataille, publicado na revista francesa Documents. Encontrei este trecho no ótimo livro O corpo impossível, da Eliane Robert Moraes.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 11h12
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Saiu a entrevista que fiz com o escritor gaúcho Flávio Moreira da Costa. Parte da matéria pode ser lida online, no site da Continente:
www.revistacontinentemulticultural.com.br
Escrito por Cristhiano Aguiar às 17h54
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ps.: comprei algumas antologias de autores brasileiros contemporâneos, já pensando na minha pesquisa de mestrado.
Comecei a ler, aqui e acolá, os contos das antologias. Em momentos mais freqüentes do que eu gostaria (e esperava), estou lendo alguns dos piores contos da minha vida. Depois comento melhor com vocês, neste blog e no da Revista Crispim (www.revistacrispim.com)
Para todos os que se interessam pela nova literatura brasileira, descobri um site, no blog do Santiago Nazarian (www.santiagonazarian.blogspot.com), cheio de entrevistas com muitos dos autores brasileiros contemporâneos.
O interessante é que não há apenas nomes mais consagrados, como Marcelino Freire, Adriana Lisboa e o próprio Santiago, mas muitos escritores ainda desconhecidos e outros que geralmente não são associados ao cânone “erudito”, como Tony Belloto e Bruna Surfistinha. O link está na barra de links do blog.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 16h15
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Do que se trata, afinal, Recife?
O que significa viver nessa cidade?
Estava almoçando, com Katalina, perto do Sítio da Trindade. Final de tarde, nós voltávamos do museu Murillo LaGreca.
Alguns amigos sabem que gosto bastante do fim da tarde. Não se trata exatamente de “pôr-do-sol”; apenas gosto desse meio de caminho entre dia-noite.
Eu comentei que gostava do final da tarde nesta cidade. Depois, fiquei me questionando por quê. Cheguei à conclusão de que, na época em que vinha com minha família de Campina Grande até aqui, normalmente para passar um fim de semana na praia (quase todo mundo em Campina gosta de ir para João Pessoa nos fins de semana, ou durante as férias. É o tal do “veraneio”, palavra que eu sempre odiei e um dia explico o motivo. Nós preferíamos vir pra Recife), a luz, a “tensão”, as árvores, os prédios, as avenidas grandes, os faróis, bom, tudo isso me trazia o sentimento de um ritmo diverso daquele ao qual estava acostumado. E eu me sentia bem porque podia sentir a diferença. Não é que aqui fosse melhor do que lá. Não se tratava disso.
Trata-se de sabor, entendem?
Uma memória puxa outra. No restaurante, tocou uma música de Milton Nascimento. Katalina lembrou de um amigo assassinado por engano na sua escola; morto pelo diretor da própria escola, que o confundiu com um “marginal”. Numa passeata contra o crime, cantaram a música que ouvíamos.
E no fim, ela disse o que eu já esperava: “não deu em nada. Como sempre, né?”
Escrito por Cristhiano Aguiar às 20h38
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série pouso, Katalina Leão, 2007

Aluga-se III, Ana Holz, 2007

série Mapas, Fabinho, 2007
Esta semana estou elaborando um projeto de curadoria pra uma dos museus daqui de Recife. Vamos ver no que dá. Os artistas são estes acima. A proposta é discutir algumas questões ligadas ao espaço, corpo, funcionalidade, domesticidade.
Escrito por Cristhiano Aguiar às 22h52
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