Linguagem Guilhotina


pausa

 

Bem, alguns leitores antigos deste blog já devem saber que eu gosto de fazer umas pausas. Mais uma vez, este é o momento. É um mês de muitos trabalhos e de uma reavaliação do meu próprio trabalho criativo, que talvez precise ser renovado com um silêncio mais prolongado.

Deixo aqui duas fotos do bacana filme do Batman. Complementando os posts anteriores, que falavam um pouco da minha relação afetiva com certa cultura pop, posso confessar que os filmes, quadrinhos e o personagem do homem-morcego foram os meus preferidos na infância e adolescência.

O filme estréia amanhã e o resultado é muito interessante. Claro, não embarque no hype de achar que o filme é o Bergman dos quadrinhos. Batman The Dark Knight é um bom filme de açao, com toques de filme policial e uma tentativa, de modo geral bem sucedida, de tornar as adaptações de quadrinhos mais maduras. É o mais próximo possível de vermos hoje, em filme, o conceito de Graphic Novel (edições especiais, do mercado norte-americano de quadrinhos, que tentam dar uma profundidade mais literária às histórias. Um dos pioneiros deste conceito foi Will Eisner, que terá o seu quadrinho Spirit adaptado por Frank Miller, criador de Sin City e marcante roteirista dos quadrinhos do próprio Batman) aplicado aos super-heróis. Nada mais justo que isto seja feito com Batman, pois, de todos os personagens super-heróis, são suas as histórias mais "maduras".

E respondendo para quem se importa: sim, o personagem Coringa é muito bom e a atuação de Heath Ledger ofusca a de Jack Nicholson, que interpretou o mesmo personagem no Batman de Tim Burton. Sim, o filme é melhor que Batman Begins em todos os aspectos. Sim, o filme continua sendo um dos mais moralistas do gênero, mas de forma geral a moral ficou bem costurada no roteiro e não nos ofende. Sim, os vilões e os dramas dos personagens ofuscam o próprio Batman e a atuação de Christian Bale, que nesse Dark Knight me soou um tanto artificial, embora isso não prejudique o filme.

Isto pode ser um problema da própria função do personagem na trama. O grande conflito de Batman em The Dark Knight, a sua possível desistência de continuar a ser super-herói, é um dos grandes clichês deste tipo de filme e não nos leva muito longe. Em certo momento, o Coringa diz algo mais ou menos assim: "isso é o que acontece quando uma força incontrolável encontra com um obstáculo intransponível". A função do Batman é servir como mediador (e última barreira) entre o caos de Harvey Dent/Duas Caras e Coringa. Ao ser mais e mais "herói", ele se tornou menos interessante aos nossos olhos. Acompanhamos com muito interesse a queda de Harvey Dent e ficamos fascinados com a obscenidade do Coringa. Para o Batman, sobra ser apenas o... Super-herói. Os melhores momentos do Batman são aqueles em que ele caminha no fio da navalha da loucura, como na cena na qual ele interrogará o Coringa de forma bem violenta, trancando com uma cadeira a porta da cela de interrogatório, enquanto o comissário Gordon entra em desespero por perder a completa confiança no seu amigo.

Os personagens são, em sua maioria, preto no branco. Dentro do universo dos comics de super-heróis, está ótimo. O comissário Gordon é a própria bondade do homem comum (aliás, ponto para o ator Gary Oldman, um dos meus atores preferidos, que se destaca outra vez nessa continuação), Alfred & Lucius Fox (bem-interpretados por Michael Caine e Morgan Freeman) desempanham a função de superegos das psicopatias do Batman e também funcionam como as válvulas de escape humorísticas num roteiro que, em diversos pontos, pega pesado. A personagem Rachel Dawes, tão chatinha em Batman Begins, adquire outra dimensão neste filme, tanto por causa da história, quanto por causa da atriz M. Gyllenhaal.

O Coringa é o mal encarnado, uma espécie de força da natureza que não respeita bandidos, nem mocinhos. Masoquista, sem nada a perder, sem limites. Já Bruce Wayne e Harvey Dent são os personagens mais ambíguos (dentro dos limites da proposta, claro), cindidos ao meio por suas obssessões e traumas, rosnando suas naturezas furiosas toda vez que se transformam em monstros. Juntos, talvez sejam a trinca de personagens mais freaks que nós encontramos no cinema de entretenimento recente...

Bom, espero que nos encontremos aqui e ali. Muito obrigado a todos os leitores! Até logo!

 



Escrito por Cristhiano Aguiar às 13h32
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Escrito por Cristhiano Aguiar às 14h48
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 

Estão todos convidados!



Escrito por Cristhiano Aguiar às 23h39
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




(post originalmente publicado no blog da Revista Crispim: www.revistacrispim.com )

Flip: educação, mercado editorial e literatura

Nos últimos anos, cada vez mais a literatura consegue algum espaço na imprensa através das feiras, festivais, festas literárias. Uma das mais importantes, a Flip, terminou neste fim de semana.

Aqui em Pernambuco temos três principais eventos sobre literatura: a Fliporto, o Festival Recifense de Literatura e a Bienal.

Não tenho nada contra este tipo de eventos.

Acho que é uma forma de tirar os escritores da toca. Qualquer modo de proporcionar encontros entre escritores, leitores e potenciais leitores é positiva. O que não pode? Enxergar esse eventos de maneira ingênua, sem tentar compreendê-los dentro da lógica de mercado que os move. Ou deixar de prestar muita atenção no modo como cada um destes eventos gasta o inevitável dinheiro público - que você desembolsou, meio mal-humorado, da sua conta - necessário para a realização de quase totalidade destas festas.

É justamente sobre mercado editorial, lei Rouanet, mídia & literatura o interessante texto "Afoitos por visibilidade", escrito por Ana Paula Sousa e publicado na Carta Capital. Aqui está o link:

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=10&i=1298

Colo um trecho do artigo:

Há pouco mais de um ano e meio, a Ediouro contratou o publicitário Lula Vieira para tocar um departamento com cerca de 30 pessoas. Seu primeiro trabalho foi com O Segredo: "Aí a gente reproduziu o lançamento de um filme, de um perfume". Orgulhoso do posto, Vieira adora falar sobre o negócio e, ao contrário dos editores, ciosos de sua função cultural, não teme explicitar as regras do xadrez de cifrões. Ele diz que o marketing começa na captura do autor, passa pelo livreiro e, claro, aterrissa na imprensa. A potência do tiro está diretamente ligada ao tamanho do lançamento e ao perfil da obra. 

"Um livro da Maitê Proença precisa de menos investimento em marketing porque a imprensa vai dar capa dos cadernos", ensina. Numa tiragem de 4 mil a 5 mil exemplares, o marketing resume-se à internet e ao trabalho com a imprensa. A partir de 40 mil, vale a pena criar um brinde para a imprensa e o livreiro. "Com 100 mil exemplares você faz coquetel para os livreiros, convida o jornalista para ir a Cannes entrevistar o autor", detalha, referindo-se, obviamente, a Paulo Coelho, capturado pelo grupo. "Quando é megaoperação, a gente foge da crítica, tenta colocar uma matéria num caderno de negócios, numa coluna de fofoca." O próximo livro de Coelho, a ser lançado em agosto, consumirá uma verba de marketing de 1 milhão de reais. 

Já o texto "Brasileiro está lendo mais poesia?", de Felipe Lindoso, faz uma análise de alguns dados estatísticos levantados por uma das últimas pesquisas sobre hábitos de leitura no Brasil. Eis o link:

http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=3360

E um trecho:

A partir desses números, entretanto, não se sustenta a idéia de que "os brasileiros" em geral estão lendo mais poesia. É impossível comparar com precisão os dados das pesquisas de 2000 e 2008 a respeito, mas as poucas porcentagens que vimos mostram que as diferenças para a população acima de 14 anos não são tão significativas quanto poderiam parecer.

A persistência da preferência pela poesia na idade adulta desses jovens que estão com menos de 14 anos hoje é algo que só poderemos ver quando fizermos, no futuro, novas pesquisas do gênero Retratos da Leitura no Brasil.

Até lá os poetas têm que trabalhar – muito além de escrever as poesias – para que essa preferência não esmoreça. Ao contrário, que se consolide. Para isso é importante que os poetas sigam o velho chamado de Castro Alves e se dirijam ao encontro de seus jovens leitores nas escolas, nas feiras de livros, em festivais de poesia.



Escrito por Cristhiano Aguiar às 10h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Um super-herói da direita

 

Nos últimos anos, o cinema vem dialogando de forma muito próxima com as histórias em quadrinhos. Isto sempre aconteceu, porém nunca de maneira tão frequente como agora. Hollywood percebeu nas hqs um filão lucrativo e uma nova fonte de idéias. Os resultados são os mais diversos, assim como os tipos de filmes. Sim, porque as histórias em quadrinhos não são somente super-heróis. Filmes como Marcas da Violência, Estrada para Perdição, Do Inferno, 30 dias de noite e Ed Mort foram baseados nos quadrinhos.

 

As adaptações mais conhecidas (e rentáveis, claro) são destes seres inverossímeis, que usam capas, apelidos esquisitos e roupas espalhafatosas, os tais super-heróis.

 

Li todas aquelas super-histórias. Ok, não todas. No colégio, trocava revistas com amigos como Nielison e Saulo, discutia com os fãs as histórias e imaginava como poderiam ser os filmes baseados nelas, sem saber que se tornariam realidade nas salas de cinema do mundo todo.

 

Embora tenha sido fã, admito que uns 90% daqueles gibis contêm histórias e desenhos sofríveis. O raciocínio continua com os filmes. Tem muita coisa ruim (Elektra, Justiceiro, Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Mulher-Gato, Quarteto Fantástico 1 & 2, Homem-Aranha 1 & 3, Blade, etc), alguns filmes razoáveis (Super-homem, Hulk (de Louis Leterrier), Homem-Aranha 2, X-Men, V de Vingança, que não é exatamente “super-herói”, mas tudo bem) e algumas boas diversões, tais como Sin City, Hulk (de Ang Lee), Corpo Fechado (uma homenagem aos supers, na verdade), Batman Begins, X-Men 2 e, agora, Homem de Ferro.

 

Os melhores filmes de quadrinhos são aqueles que traduzem para o cinema o absurdo do universo dos super-heróis, mas buscando aparar os exageros kitsch que se encontram aos montes nas páginas dos gibis. Alguns procuram investir num pouco mais de densidade para conseguir um verniz “cult”, como é o caso de Batman Begins, outros chutam o pau da barraca, não se levam a sério e incorporam a alma pipoca-multiplex.

 

É o caso deste divertido Homem de Ferro, dirigido por Jon Favreau. O sucesso do filme foi surpreendente, principalmente porque o Homem de Ferro nunca foi um personagem muito popular, servindo muito mais como coadjuvante. Mérito para o carismático Robert Downey Jr., ator de filmes bacanas como Homem Duplo. Mérito também para o roteiro, que, dentro da lógica das hqs de super-heróis, está bom.

 

Investir no lado humano, seja na construção do personagem, ou na escolha de bons atores, é uma ótima saída para este gênero um tanto limitado, que deverá se esgotar nos próximos anos. Este tipo de histórias se baseia muito numa lógica de compensação emotiva, numa conexão direta entre nós leitores e os personagens e situações. Literaturas e narrativas de outras matrizes romperam com esta regra, no mínimo, no século XIX.

 

No caso de Tony Stark, não é que gostemos dele. Mas ele nos oferece uma fantasia do que pensamos ser a vida de um playboy milionário e aparentamente irresponsável. Dentro da caricatura, atende perfeitamente às nossas expectativas.

 

Confesso que me incomodam as primeiras cenas, em que um americano genial (Stark), ao desenvolver uma tecnologia, frita um monte de árabes. Ok, sei que eles o sequestraram, que há uma moral (as armas usadas pelos árabes foram vendidas pelas próprias empresas de Stark, um magnata das armas). Mas tenho direito ao incômodo.

 

Stark percebe que o negócio de armas não é exatamente a coisa mais cool e humanitária que se pode fazer da vida e entra em crise. Em seguida, faz o que qualquer ser humano maduro faria no seu lugar: cria uma armadura rubro-amarela e saí por aí voando e soltando raios pelas mãos. O interessante é que o personagem desiste de encarar de frente o conflito ético para viver uma fantasia compensatória, tentando consertar as coisas de uma forma meio torta e mirabolante. O impasse continua até o fim do filme, pois não lembro da sua resolução. Ponto pro roteiro: dentro da lógica dos quadrinhos e do próprio egocentrismo de Stark, sua fuga da realidade e a indefinição da sua posição como mercador da morte é bem interessante. A pior coisa para o filme seria Stark virar, repentinamente, um altruísta em busca da paz mundial, com discursos politicamente corretos na ponta da língua. Também interessa o não-beijo final na sua pré-namoradinha Peppers Potts, um papel insosso que só engrossa as (com razão) investidas da crítica feminista contra este tipo de histórias. Me agrada, também, o tom meio ciborgue do filme, com a bizarra cena de Peppers enfiando a mão na prótese cardíaca de Stark, por exemplo. As fragilidades dos heróis da Marvel (Demolidor é cego, Homem-Aranha é pobretão, os X-Men são vítimas de preconceito genético, o primeiro alter-ego do Thor era um médico com dificuldades de locomoção, etc) foram um grande achado de Stan Lee e cia.

 

Bom, é isso. Veremos como será o tratamento de outro filme sobre um milionário maluco (Batman, um caso psiquiátrico mais complicado do que Stark) e o quê o diretor indie Cristopher Nolan consegue tirar daí. Um pouco mais de “sujeira”e indefinições seriam bem-vindos neste novo Batman, pois o primeiro filme desta nova franquia sofre da necessidade de ter um roteiro redondo demais, com lições de moral por metro quadrado. Paradigmas um tanto irritantes de certo cinema holywoodiano, acho.

Escrito por Cristhiano Aguiar às 23h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




São João II

Vocês já viram algum anjo?

 

Continuando nas lembranças. Para os leitores que não conhecem Campina Grande, saibam que as principais festas do São João acontecem num lugar só, chamado Parque do Povo.

 

 

Salvo engano, o Parque do Povo foi construído na gestão do político Ronaldo Cunha Lima. Não sei se lembram dele, foi aquele que chegou atirando, dentro de um restaurante, na boca de um desafeto político, Tarcísio Burity. Saiu na capa da Veja, na época: lembro do desenho meio expressionista que ilustrava o crime, num fundo vermelho-berrante. Naquele tempo, eu estudava no colégio Regina Coeli, às margens do Açude Velho.

 

Ao lado do Regina Coeli, havia uma delegacia, na qual Ronaldo Cunha Lima foi levado. Lembro que, ao sair do colégio, no final daquela tarde, havia um montão de gente aglomerada. Tenho a impressão de ter visto Cunha Lima entrando na delegacia, mas nesse ponto a memória fica realmente turva. Hoje, o governador da Paraíba é o seu filho, Cássio Cunha Lima. Nosso atual governador possui uma vida política agitada (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u414926.shtml). Ele construiu recentemente um viaduto em Campina Grande. Embaixo deste viaduto, há uma praça que demorou mais de um ano para ficar pronta e que, ao que parece, foi orçada em cerca de 800.000 reais. Não sei que diabos de tijolinhos caros e plantas extraterrestres eles trouxeram para essa praça, mas tudo bem, afinal faço apenas “literatura”, o que é muito pouco e geralmente leva a um levantar desconfiado de sobrancelhas.

 

Ao contrário de outras pessoas, o São João da minha infância e adolescência não é marcado pelo Parque do Povo, mas por um trabalho de evangelização que acontecia do lado dele, numa outra praça. Este trabalho se chamava Cantinho da Paz, evento paralelo com shows gospel, pregação, peças de teatro.

 

Tem uma cena que me impressiona. Conheci, na infância, um pastor que dizia enxergar anjos e demônios. Eu mesmo, com uns onze anos, já tive uma experiência nesse sentido, sobre a qual tentei falar, de algum modo, no meu conto “Na madeira, os jardins”, publicado no Recife conta o Natal. O pastor dizia que via anjos grandes, “do tamanho de um poste”, guardando as casas dos crentes.

 

Uma noite eu estava com ele no Cantinho da Paz, quando passou um rapaz na nossa frente. Ele falou: “esse daí tá cheio”. Adivinhei na hora: ele queria dizer que o outro estava cheio de demônios. Nunca tive coragem de perguntar para ele como eram esses espíritos do mal, porque naquele tempo me incomodava falar diretamente com os adultos. Na minha cabeça, eu deveria apenas escutar e escutar, brincando de ser invisível.

 

Lembrei disso dirigindo para casa, aqui em Recife. Olhava para as esquinas do Pina e tentava imaginar se havia mesmo essas inteligências nem vivas, nem mortas, nos espiando...

 



Escrito por Cristhiano Aguiar às 11h50
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Voltei da minha temporada em Campina. Recife e os compromissos (contas a pagar, trabalhos a realizar) me esperavam à porta de casa!

 

Na verdade, a partir de agora, retorno a viver a Paraíba de forma mais próxima, o que implica dizer que “temporadas” é um conceito bem inadequado.

 

Notícia interessante: a Martins Fontes relança três livros do poeta pernambucano Ascenso Ferreira. O programa de rádio Café Colombo conversou com a professora Valéria Torres da Costa e Silva, responsável pelo relançamento dos livros.

 

O bacana da entrevista, além de ser uma forma de conhecermos melhor quem foi o poeta, é o fato de que os produtores colocaram no ar gravações do próprio Ascenso lendo seus poemas.

 

Fica aqui o link para vocês ouvirem a entrevista:

 

http://cafecolombo.com.br/2008/06/30/a-poesia-de-ascenso-ferreira-2/

 

Fica aqui um poema de Ascenso, que retirei do Jornal da Poesia.

 

A cavalhada


Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis,

 

Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas!
Bandeirinhas de papel bulindo no vento!...

 

Foguetes do ar...

 

— "De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai começar!"

 

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...

 

— Lá vem Papa-Légua em toda carreira
e vem com os arreios luzindo no sol!
— Danou-se! Vai tirar a argolinha!

 

— Pra quem será?
— Lá vem Pé-de-Vento!
— Lá vem Tira-Teima!
— Lá vem Fura-Mundo!
— Lá vem Sarará!
— Passou lambendo!
— Se tivesse cabelo, tirava!...
— Andou beirando!...
— Tirou!!!
— Música, seu mestre!
— Foguetes, moleque!
— Palmas, negrada!
— Tiraram a argolinha!
— Foi Sarará!

 

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...

 

— Viva a cavalhada!
— Vivôô!!!

 

— De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai terminar!


Publicado no livro Catimbó (1927).
In: FERREIRA, Ascenso. Poemas: Catimbó, Cana Caiana, Xenhenhém. Il. por 20 artistas plásticos pernambucanos. Recife: Nordestal, 1981

 



Escrito por Cristhiano Aguiar às 15h11
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, Homem
Outro - cristhianoaguiar@gmail.com
Histórico
Outros sites
  primos distantes
  Artur Rogério
  Revista Crispim
  interpoetica
  debarte
  vacatussa
  Cordeletras
  Zumbi escutando blues
  astier basílio
  Café Colombo
  Cronópios
  Portal Literal
  Marcelino Freire
  Continente Multicultural
  Nós Pós
  Rinaldo de Fernandes
  Revista Piauí
  Empilhado Blog
  Blog Theresa
  Palavras de Escritores
  Conrado Falbo
  Saulo Feitosa
  Opinião Pernambuco - Sexta Cultural
  Descontínuo Reverso
  Um tango vai melhor que um blues
  Lady Lazarus



O que é isto?